quarta-feira, 12 de agosto de 2026

TMC, a Transamérica do fracasso


 A TMC parece uma cópia mal feita da CBN e da Band News, que são umas porcarias. Se era pra fazer essa merda, era melhor ter deixado a programação como estava e o nome Rádio Transamérica FM, que é uma marca tão forte quanto Jovem Pan, Bandeirantes, Cultura, Antena 1. Eldorado fm, Manchete, Cidade, Excelsior... todas elas marcaram época e eram marcas respeitáveis e algum momento um zerruela que nem ouve rádio decidiu que elas deveriam sair do ar por causa de seus "devaneios". 

O problema é que a tal TMC é tocada por gente que conhece o meio e é dona da Rádio Disney, da 89 FM e da líder Alpha FM e faz uma bobagem dessas e reclama que não dá audiência. Mas o tal do João quer investir em "jornalismo". Se for assim, tem de investir em JORNALISMO LOCAL, falar de São Paulo como a Tupi do Rio faz por lá e não ficar falando da sujeira que aprontam em Brasília o tempo todo. Isso até o tik tok faz. 

Tem que falar de São Paulo, se possível 24 horas por dia, do trânsito, da violência, dos buracos de rua, da falta de luz, das enchentes e das soluções criativas, dos melhores lugares para se comer e se divertir, das empresas e dos negócios que só são gerados aqui, do turismo que a metrópole oferece e que atrai gente do interior, e da vida quase interiorana da periferia. Como dizia Fernando Vieira de Mello para um colega meu de faculdade, estagiário que foi na Jovem Pan: "Nós somos uma rádio de bairro e nosso objetivo é virar uma rádio de quarteirão". Mais São Paulo. Menos Brasília. 

Quando comecei no jornalismo, e lá se vão mais de três décadas, existia o SETORISTA. Eles estavam ali no quartel da PM, no primeiro distrito do Pátio do Colégio, no DHPP, no DEIC, na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura, no Palácio dos Bandeirantes, no Detran, na CET, no Palmeiras, no Corínthians, no São Paulo, na Portuguesa, no Santos, no ABC Paulista, em Osasco, no terminal do Tietê, em Congonhas, em Cumbica e onde mais a notícia estivesse. Não entendi até agora porque nenhuma rádio volta a investir em setoristas e repórteres volantes. 

Nos grandes eventos - como finais de campeonato, desfile de escolas de samba, grandes prêmios de Fórmula 1, grandes manifestações políticas, na Copa do Mundo, nos grandes festivais, nas grandes festas, nas grandes feiras e até na São Silvestre, o RÁDIO ESTAVA LÁ. Hoje em dia, por pura preguiça e/ou por ignorância, abriram mão de uma cobertura que só ela saberia fazer com agilidade e propriedade para a TV, para as redes sociais e até para o próprio internauta em redes como whatsapp e X. 

Quando você sintoniza a maioria das rádio de João Pessoa, por exemplo, é quase que obrigatório ouvir os noticiários do começo da manhã, na hora do almoço e no fim de tarde, mesmo nas emissoras predominantemente musicais. No entanto o que se ouve lá é a política local, o noticiário policial local, o dia-a-dia de metrópole, o buraco de rua, a falta de luz, o trânsito, a falta da estrutura para receber turistas, o esporte local, as festas locais e tudo que a capital paraibana tem de belo e bonito para se ver. 

Quando se vai para o interior, é a mesma coisa, só que de forma mais radical ainda. O fenômeno se repete em outros estados do Nordeste e do Brasil. Mas aqui em São Paulo os coleguinhas só querem falar de Brasília, do Congresso Nacional, do STF, das intrigas do Palácio do Planalto e nem dão bola para o que acontece na própria câmara municipal, na prefeitura, muito menos no Palácio dos Bandeirantes. A Assembleia Legislativa só lembram de cobri-la quando há algum tipo de escândalo ou quando ocorre quebra pau. Parece uma linha de montagem retrô da Volkswagen: É só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília, é só Brasília.

Depois não sabem porque a TMC não está subindo na audiência. Fazer uma rádio que seja a cara e tenha a cor local de onde mora parece que é o sonho e grande pedra de toque de todo radialista: falar de sua gente e do seu lugar no mundo e falar do mundo a partir da sua visão local.  Simples assim. Mas enquanto os altos executivos da TMC não enxergarem isso, não terão bons resultados. E fim de papo.

Agora se é pra fazer esse jornalismo de merda que está aí, é melhor voltar a tocar música de qualidade como era no seu começo e continuar com a programação esportiva na qual ela foi pioneira no FM. E fim de papo.

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